Walena de Almeida Marçal Magalhães (Organizadora)

Útsica:

Práticas inovadoras e registros culturais

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Ano 2021

Walena de Almeida Marçal Magalhães (Organizadora)

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Editora chefe Profº? Dr? Antonella Carvalho de Oliveira Editora executiva Natalia Oliveira Assistente editorial Flávia Roberta Barão Bibliotecária Janaina Ramos Projeto gráfico Camila Alves de Cremo Luiza Alves Batista 2021 by Atena Editora Maria Alice Pinheiro Copyright O Atena Editora Natália Sandrini de Azevedo Copyright do texto O 2021 Os autores Imagens da capa Copyright da edição O 2021 Atena Editora iStock Direitos para esta edição cedidos à Atena Edição de arte Editora pelos autores. Luiza Alves Batista Open access publication by Atena Editora

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INQUIS

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Profº Drº Sheila Marta Carregosa Rocha - Universidade do Estado da Bahia

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Música: práticas inovadoras e registros culturais

Diagramação: Camila Alves de Cremo Correção: Amanda Costa da Kelly Veiga Indexação: Gabriel Motomu Teshima Revisão: Os autores Organizadora: Walena de Almeida Marçal Magalhães

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

M987 Música: práticas inovadoras e registros culturais / Organizadora Walena de Almeida Marçal Magalhães. - Ponta Grossa - PR: Atena, 2021.

Formato: PDF

Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader Modo de acesso: World Wide Web

Inclui bibliografia

ISBN 978-65-5983-512-6

DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.126212309

1. Música. 2. Registros culturais. |. Magalhães, Walena de Almeida Marçal (Organizadora). Il. Título. CDD 780

Elaborado por Bibliotecária Janaina Ramos - CRB-8/9166

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Ponta Grossa - Paraná - Brasil Telefone: +55 (42) 3323-5493 www .atenaeditora.com.br contatoBatenaeditora.com.br

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DECLARAÇÃO DOS AUTORES

Os autores desta obra: 1. Atestam não possuir qualquer interesse comercial que constitua um conflito de interesses em relação ao artigo científico publicado; 2. Declaram que participaram ativamente da construção dos respectivos manuscritos, preferencialmente na: a) Concepção do estudo, e/ou aquisição de dados, e/ou análise e interpretação de dados; b) Elaboração do artigo ou revisão com vistas a tornar o material intelectualmente relevante; c) Aprovação final do manuscrito para submissão.; 3. Certificam que os artigos científicos publicados estão completamente isentos de dados e/ou resultados fraudulentos; 4. Confirmam a citação e a referência correta de todos os dados e de interpretações de dados de outras pesquisas; 5. Reconhecem terem informado todas as fontes de financiamento recebidas para a consecução da pesquisa; 6. Autorizam a edição da obra, que incluem os registros de ficha catalográfica, ISBN, DOI e demais indexadores, projeto visual e criação de capa, diagramação de miolo, assim

como lançamento e divulgação da mesma conforme critérios da Atena Editora.

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DECLARAÇÃO DA EDITORA

A Atena Editora declara, para os devidos fins de direito, que: 1. A presente publicação constitui apenas transferência temporária dos direitos autorais, direito sobre a publicação, inclusive não constitui responsabilidade solidária na criação dos manuscritos publicados, nos termos previstos na Lei sobre direitos autorais (Lei 9610/98), no art. 184 do Código Penal e no art. 927 do Código Civil; 2. Autoriza e incentiva os autores a assinarem contratos com repositórios institucionais, com fins exclusivos de divulgação da obra, desde que com o devido reconhecimento de autoria e edição e sem qualquer finalidade comercial; 3. Todos os e-book são open access, desta forma não os comercializa em seu site, sites parceiros, plataformas de e-commerce, ou qualquer outro meio virtual ou físico, portanto, está isenta de repasses de direitos autorais aos autores; 4. Todos os membros do conselho editorial são doutores e vinculados a instituições de ensino superior públicas, conforme recomendação da CAPES para obtenção do Qualis livro; 5. Não cede, comercializa ou autoriza a utilização dos nomes e e-mails dos autores, bem como nenhum outro dado dos mesmos, para qualquer finalidade que não o

escopo da divulgação desta obra.

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APRESENTAÇÃO

Aobra “Música: Práticas inovadoras e registros culturais” tem como foco compartilhar com os leitores reflexões em torno da Música, como área de conhecimento e uma das expressões da Arte, a partir de práticas relevantes e inovadoras e os diversos registros dentro da musicologia, que enriqueçam a história da música passada ou presente.

O objetivo da obra é a compreensão a respeito dos processos e contextos das experiências e histórias musicais compartilhadas no livro, o que possibilita o enriquecimento de bases teóricas para futuros relatos, bem como contribuições à empiria, ao apresentar subsídios para a replicação das pesquisas aqui descritas, em outros contextos e variantes.

O primeiro capítulo descreve, de um ponto de vista interdisciplinar entre Música e Ambiente, a biografia de um cantador e compositor da Amazônia brasileira: Nilson Chaves e procurar trazer o registro da importante cultura amazônica para a musicologia brasileira.

No segundo capítulo o leitor será remetido a um gênero musical cujo desenvolvimento foi fortalecido na Alemanha e nasceu como resposta à herança cultural de um país com história de guerra e ideologia política ultraconservadora, e aponta como o Krautrock, apesar de não ser uma música da chamada massmídia, deixou um legado que repercute na música popular global, mesmo 50 anos após o seu surgimento.

O capítulo três traz registros de dados históricos sobre a Fundação Municipal de Artes de Montenegro, na região Sul do Brasil, como fruto de levantamento documental no recorte temporal de 2017 a 2020. O estudo aponta as contribuições da Instituição para a educação musical brasileira, especialmente a nível local e regional.

O capítulo quatro trata da formação do músico de banda, num recorte da Banda Waldemar Henrique, da cidade de Marabá Pará. Busca descrever a formação musical inicial de seus instrumentistas, onde ocorre a iniciação musical dos mesmos, numa importante contribuição para a história educação musical no Brasil, e das bandas, como ferramenta para tal.

No quinto capítulo, temos uma apresentação de experiência de educação musical com o método Suzuki, desenvolvido no Japão, mas muito replicado em todo o mundo, inclusive no Brasil, apontado sua aplicabilidade num estudo de caso com crianças de 0 a 3 anos, não no sentido da ludicidade, mas na cognição efetiva dos conteúdos musicais e de outros aspectos importantes para o desenvolvimento infantil.

A expectativa é de que esta obra sirva de inspiração e atualização para seus leitores, uma pausa reflexiva no accelerando do cotidiano de músicos e de todos quantos se interessarem pelo tema. Uma boa degustação musical a todos!

Walena de Almeida Marçal Magalhães

SUMÁRIO

CAPITULO A ani sa O li 1

NILSON CHAVES: UM ÍCONE DA MÚSICA REGIONAL AMAZÔNICA Walena de Almeida Marçal Magalhães Simone Athayde

É) https://doi.org/10.22533/at.ed.1262123091

CAPITULO 2 cuzsnodoago asa5 da 13

KRAUTROCK: CRIATIVIDADE, IDENTIDADE E LEGADO PARA A MÚSICA POPULAR Leonardo José Porto Passos José Eduardo Fornari Novo Júnior

É) https://doi.org/10.22533/at.ed.1262123092

CAPITULO 2:25; iai legiao ada Di ad E 25

A FUNDARTE E O ENSINO DE MÚSICA NA REGIÃO DO VALE DO CAÍ/RS: UMA PESQUISA DOCUMENTAL

Cristina Rolim Wolffenbúttel

Bárbara Cecília Spohr

Guilherme da Silva Ramos

Marcus Vinícius Torquato de Souza

É) https://doi.org/10.22533/at.ed. 1262123093

CAPITULO À. isisais irao io 34

OS PRIMEIROS PASSOS MUSICAIS: UM ESTUDO SOBRE O PROCESSO DE MUSICALIZAÇÃO DO INSTRUMENTISTA DE BANDA

Juliane Barbosa de Sousa

Júlia Lino Barbosa de Sousa

Ronny Ramos da Silva

é https://doi.org/10.22533/at.ed.1262123094

CAPITULO 5. oras dei oia ad 45

OS AVANÇOS E DESAFIOS PRESENTES NAS AULAS DE MÚSICA PARA CRIANÇAS DE O A 3 ANOS ATRAVES DO METODO SUZUKI

Tatiane Mota Santos Jardim

Luciana Aparecia Schmidt dos Santos

É) https://doi.org/10.22533/at.ed.1262123095 SOBRE A ORGANIZADORA .............. errar eereeerarararerraneararanan 53 ÍNDICE REMISSIVO............ araras rare ra rara ra renan arara rananar nana 54

CAPÍTULO 1

NILSON CHAVES: UM ÍCONE DA MÚSICA

Data de aceite: 01/09/2021 Data de submissão: 17/05/2021

Walena de Almeida Marçal Magalhães Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins

Palmas Tocantins - Brasil http:/llattes.cnpq.br/7963636016511842

Simone Athayde

Florida International University

Miami Flórida Estados Unidos http://lattes.cnpqg.br/5304932382522970

RESUMO: Este capítulo trata de Nilson Chaves, um cantor e compositor do estado do Pará, representante da música amazônica brasileira. Traz sua biografia obtida a partir de entrevista exclusiva e a reconstroi com enfoque n levantamento da obra amazônica do artista. O estado do Pará é um dos oito estados da Amazônia brasileira e o segundo da região Norte em extensão territorial. A pesquisa faz uma abordagem interdisciplinar entre as áreas de Música e Ciências Ambientais, para registro desse ícone da música amazônica, com objetivos de registrar a memória e a identidade da região, bem como contribuir aos estudos sobre o tema, no recorte geográfico proposto. Reforça marcos e espaços para a integração entre cultura, música e estudos ambientais, com ênfase para as relações multidimensionais entre ser humano e natureza.

PALAVRAS-CHAVE:

Amazônia, Ambiente,

Música: Práticas inovadoras e registros culturais

REGIONAL AMAZÔNICA

Música Amazônica, Nilson Chaves, Pará.

NILSON CHAVES: AN ICON OF AMAZON REGIONAL MUSIC

ABSTRACT: This chapter focuses on Nilson Chaves, a singer and composer from the state of Pará and an expression of the Brazilian Amazon music. From an exclusive interview with the singer, this chapter presents a short biography and synthesis of his Amazonian work. The state of Pará is one of the eight states in the Brazilian Amazon and the second largest of the Northern region, in terms of territorial extension. The research takes an interdisciplinary approach integrating the fields of Music and Environmental Sciences to record the memory and identity of the region, as well as to contribute to studies on the theme of regional Amazonian music. It reinforces pathways and spaces for the integration between culture, music and environmental studies, with an emphasis on the multidimensional relations between humans and nature.

KEYWORDS: Amazon, Environmental Sciences, Amazonian Music, Nilson Chaves, Pará.

11 INTRODUÇÃO

O presente capítulo aborda a biografia e obra do músico paraense Carlos Nilson Batista Chaves, cujo nome artístico é Nilson Chaves, doravante chamado Nilson. Destaca o artista como um ícone da música regional amazônica, ao representar a identidade regional nas canções que compõe e interpreta. Na obra

do autor, é observada a presença de temas

Capítulo 1

importantes do ponto de vista regional, e sua ressonância em nível nacional e global, ao expressar a cultura dos povos amazônicos, as lendas, histórias, memórias culturais e identidade das comunidades diversas que o compõe.

A abordagem se na relação entre os campos de estudo de Arte/Música e Ciências Ambientais, explorando a ocorrência de temas socioambientais nas canções de Nilson e qual a contribuição do artista para a conservação da cultura da região amazônica. Toma- se por base o conceito de cultura proposto por Geertz, como “sistemas entrelaçados de signos interpretáveis [...], um contexto” (GEERTZ, 1989, p. 24). Baseado nesse pano de fundo cultural, especificamente da região Norte estado do Pará, é feito um levantameto da obra amazônica do artista, para ressaltar representações que ele traz de si e da cultura em seu entorno (VERAS; ORLANDO, 2019).

O recorte regional é na Amazônia Legal, especificamente no estado do Pará, onde Nilson nasceu e atua. O estado faz divisa internacionalmente com Suriname e Guiana, e nacionalmente com os estados do Amapá, Roraima, Amazonas, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão (IBGE, 2021).

O Pará é o segundo maior estado em extensão da região Norte do Brasil, com área de 1.245.870,707km?2 e população estimada de 8.777.124 habitantes, em 2021 (IBGE, 2021b). Compõe com mais oito estados brasileiros a Amazônia legal (Figura 1).

AMAZÔNIA LEGAL 2020

Figura 1: Mapa da Amazônia Legal. Fonte: IBGE (2021b).

A relevância deste registro se num momento histórico em que todos os olhares estão voltados à Amazônia, devido à riqueza da região em termos de bioma, cultura e temas controversos tais como: o avanço do agronegócio; a extração madeireira, a mineração e o consequente desmatamento e destruição da região; o crescente interesse internacional

na biodiversidade da região e seus recursos minerais; as crescentes violações de direitos

Música: Práticas inovadoras e registros culturais Capítulo 1 FE

indígenas; e o comprometimento dos sistemas socioecológicos da região decorrentes dos impactos negativos dos problemas citados e outros correlatos (MAPBIOMAS, 2020). Também ocorre num momento em que a discussão a respeito da categoria regional dentro do debate regional-global traz à tona os enfraquecimentos das identidades em diversas escalas (HAESBAERT, 2010). Assim, aqui é feito o registro de um artista regional do estado do Pará no Norte do Brasil, visto que a história recente, subisidiada em testemunhos vivos, contribui para a reconstituição de pensamentos, comportamentos, culturas e sensibilidades de uma época, de uma sociedade, e de um povo (BOSI, 2018).

Para a elaboração desta pesquisa qualitativa, foram utilizadas arevisão integrativa (SAYER, 2018) e entrevista individual semi-estruturada (BERNARD, 2006), com narrativas com fixação de relevância, permitindo que o entrevistado destacasse pontos importantes de sua história (JOVCHELOVITCH; BAUER, 2002).

21 DESENVOLVIMENTO

Biografia de Nilson Chaves

Nilson Chaves nasceu em Belém, a capital do estado do Pará, em oito de novembro de 1951, e completa 70 anos de idade, em 2021 (Figura 2).

Figura 2: Nilson Chaves, cantor e compositor amazônico. Fonte: PASCOAL, Marivardo, 2011.

Atua na cena musical paraense, desde a segunda metade do século XX. É

notadamente um representante da resistência da música regional amazônica, cujo nome e

Música: Práticas inovadoras e registros culturais Capítulo 1 EEE

obra são presentes na mídia local, como o jornal “Beira do Rio”, da Universidade Federal do Pará (UFPA, 2021), e os jornais de maior circulação física e on line no estado do Pará: “O Liberal” (O LIBERAL, 2021) e “A Província do Pará” (A PROVÍNCIA DO PARÁ, 2021). Seu nome é amplamente citado nos sites de referência da cultura paraense, como os da Fundação Cultural do Estado do Pará - FCP- PA (FCP-PA, 2016) e da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Pará - SECULT-PA (MARQUES, 2020). nacional, esteve presente em programas relacionados à valorização da cultura regional,

A nível

como o “Sr. Brasil”, de Rolando Boldrin, tanto como compositor, sendo interpretado pela cantora Regina Dias (TV CULTURA, 2018; MARQUES, 2018), quanto como intérprete de “Matança”, com um de seus principais parceiros Vital Lima (TV CULTURA, 2012).

Nilson declara que assumiu a música amazônica num tempo em que ele sabia ainda não haver espaço na indústria musical brasileira para tocá-la. O artista revela que à epoca em que iniciou o trabalho com temas amazônicos, era difícil, mas que ele tinha convicção de que um dia o tema poderia ser respeitado, juntamente com os artistas que atuavam em defesa da região. Ele afirma que recebeu, a princípio, forte pressão das gravadoras para mudar de estilo e assumir algo que coubesse no mercado, mas que sempre resistiu a esse tipo de pressão (MININE, 2017).

Nilson participou de eventos internacionais, como festivais da canção, o que tem levado o artista a conquistar reconhecimento e premiações no Brasil e no exterior (MININE, 2008). O músico tem inclusive dois de seus discos lançados por um selo alemão e outro por selo japonês . O conjunto de sua obra abrange mais de treze CDS, além de DVDs e diversas outras apresentações em mídias on line (Quadro 1).

MÍDIA | DATA TÍTULO SELO/ENTREVISTADOR/ ENTIDADE PROMOTORA

Vinil 1981 Dança de Tudo Selo “Nós Em Casa” (RJ)

Vinil 1984 Interior, em parceria com Vital Lima Selo “Vison” (RJ)

Vinil 1989 Sabor Selo “Outros Brasis” (PA/RJ)

Vinil 1990 Amazônia Selo “Outros Brasis” (PA/RJ)

Vinil 1992 Waldemar, em parceria com Vital Lima Selo “Outros Brasis” (PA/RJ)

CD 1992 Nilson Chaves em Dez Anos Selo “Outros Brasis” (PA/RJ)

Vinil 1993 Não Peguei o Ita Selo “Outros Brasis” (PA/RJ)

CD 1994 Nilson Chaves em Dez Anos vol Il Selo “Outros Brasis” (PA/RJ)

CD 1994 Não Peguei o Ita Selo “Outros Brasis” (PA/RJ)

CD 1994 Waldemar, em parceria com Vital Lima Selo “Outros Brasis” (PA/RJ)

CD 1996 Tudo Índio Selo “Outros Brasis” (PA/RJ)

CD 1997 “Amazônia Brasileira”, em parceria com o Selo Outros brasis (Brasil)” Selo violonista Sebastião Tapajós Tupirama Music (Alemanha)

CD 1998 E lado de cá, em parceria com Sebastião | Selo independente (Foz do Iguaçú)

apajós.

Música: Práticas inovadoras e registros culturais

Capítulo 1

CD 1999 Tempodestino: 25 anos, ao vivo Selo “Outros Brasis” (PA/RJ) CD 2000 Gaia Selo “Outros Brasis” (PA/RJ) CD 2001 Melhores Momentos Selo “Outros Brasis” (PA/RJ) CD 2005 Trilogia 1: A Força Que Vem das Ruas, Sem selo álbum com 3 volumes, em parceria com Lucinnha Bastos e Mahrco Monteiro DVD | 2005 A Força Que Vem das Ruas, em parceria Sem selo com Lucinnha Bastos e Mahrco Monteiro CD 2006 Maniva Selo “Outros Brasis” (PA/RJ) DVD | 2007 “Thiago de Mello” contando e cantando Selo independente (Manaus) entre amigos”, participação de Nilson Chaves CD 2008 JurutiAmar, em parceria com Sem selo Lucinnha Bastos e Mahrco Monteiro DVD | 2008 Gente da Mesma Floresta com Itaú Cultural participação de diversos cantores da Amazônia DVD |2011 Sina de Cigano, em parceria com Vital Lima | Sem selo CD 2012 “Trilogia 2 Ser do Norte”, em parceria com | Sem selo DVD Lucinnha Bastos e Mahrco Monteiro CD 2012 Amores Selo “CT Send Music” (Japão) DVD |2012 Toca Brasil com participação de Nilson Itaú Cultural Chaves CD 2016 Avenida Musical Norte/Sul, em parceria Sem selo com Carlos Di Jaguarão

Música: Práticas inovadoras e registros culturais

Quadro 1: Lista de obras de Nilson Chaves.

Fonte: baseada em dados fornecidos pelo artista em 30.08.2021.

Conforme se na tabela acima, é importante destacar que para o próprio músico, sua carreira profissional começa como o lançamento de seu primeiro disco de vinil, denominado “Dança de Tudo” (1981), lançado com tiragem de 1.000 cópias. O evento de lançamento se deu em Belém, no Teatro Waldemar Henrique.

O DVD “Sina de Ciganos” (2011), foi lançado como celebração de 30 anos de parceria com Vital Lima, um dos maiores parceiros de Nilson Chaves.

Outros destaques importantes são que o CD “Amazônia Brasileira”(1997) foi lançado com o selo alemão Tupirama Music, no Brasil e em países da Europa. Também o CD “Amores” foi lançado com o selo japonês CT Music, em 29 países simultaneamente.

Origem familiar e contato inicial com a música

Em entrevista, Nilson narra sobre suas origens familiares. Relata que sua família era composta de sete pessoas: o pai, a mãe e cinco irmãos, quatro homens e uma mulher. Dos irmãos, havia três filhos biológicos, dos quais ele é o mais novo e dois irmãos adotivos. Desses, Nilson destaca, que eram

uma irmã e um outro irmão de criação que minha mãe criou e que se tornaram

Capítulo 1

também nossos irmãos, né... por afetividade, por coisas importantes (...).Os meus dois irmãos de sangue, os dois faleceram. (informação verbal, 20201).

Ao contar sobre seus primeiros contatos com música, o artista destaca que se deram no ambiente familiar. Foi em sua casa que a musicalidade se desenvolveu a princípio, o que concorda com Martinez (2017) que afirma que o ser humano pode vivenciar o universo sonoro, através de seu meio social e cultural (MARTINEZ, 2017). Sobre isso, Nilson relembra:

Então, minha família especificamente tinha um ambiente musical diferente, ou seja, meu pai tinha uma... algo que a gente chama aqui de aparelhagem de som, né, o treme terra. que, naquela época, até brinco com o pessoal hoje em dia, quando eu falo sobre isso, eu digo, naquela época ninguém tremia a terra, era uma aparelhagem de som, que fazia a festa (rindo)...e meu pai fazia festas, né... bailes com aparelhagem de som, a gente bem jovem, doze, treze anos de idade, catorze ...eu ajudava a fazer as festas.. eu e os meus irmãos.

Vê-se na narrativa de Nilson que a musicalidade é uma possibilidade para todos os seres humanos, desde que submetidos a um ambiente cultural que proporcione experiências e sensibilizações neste sentido, em diálogos de forma intersubjetivas (MEIRA; PILOTO, 2010).

Por influência especificamente de seu irmão mais velho, que atuava em rádios, na cidade de Belém, Nilson relata que se envolveu pela música. Ele diz:

ele também teve uma pequena (...) influência para mim nessa questão musical. E eu, naquele momento, não tinha ainda nenhuma relação com a música. (...) E,eu me envolvi porque eu tinha uma curiosidade muito grande com o meu pai, (...) de ouvir os discos que ele não levava para os bailes. E eu ligava à tarde (...) ligava o som em casa e começava a ouvir aqueles discos... e ali sim, começou a minha paixão

Influências musicais

Os artistas que Nilson conheceu, através do acervo de seu pai, acabaram por influenciar seu gosto musical e sua futura carreira. Ele aponta que ouvia cantores diversos, como Maísa, Dolores Duran, João Gilberto, Nara Leão, Cauby Peixoto, cujas experiências de projeção nacional o inspiravam. Nilson diz que esses artistas eram discos de vinil que seu pai não levava para as festas, para as pessoas dançarem, visto não serem apropriados para isso, mas certamente foram enorme influência em seu desenvolvimento como músico. Ele acrescenta sobre isso que “ouvindo esses companheiros, eu comecei a me apaixonar pela música, Angela Maria, outros da época”.

Segundo as memórias do cantor, neste contexto histórico de sua vida, que foi a fase de transição entre sua adolescência e juventude, entre os anos 1965 a 1975, havia

segundo suas memórias uma forte influência das rádios, na cena cultural de Belém,

1 Todas as informações verbais se referem à CHAVES (2020).

Música: Práticas inovadoras e registros culturais Capítulo 1 EO

inclusive emissoras internacionais da América Latina, o que dava acesso à população paraense às músicas latinas, além dos artistas brasileiros de então. O artista narra que havia na cidade de Belém, e no Norte em geral, uma cultura de ouvir as emissoras da Guiana Francesa, Suriname ou Guiana Holandeza e Guiana Inglesa, e de outra regiões do Caribe. E acrescenta:

Nós ouvíamos aqui as rádios AMs das três Guianas, do Caribe e etc. E alí você ouvia Salsa, ouvia Rumba, ouvia Merengue. Eu não sei se você lembra... mas em Belém naquela época, nós tínhamos os sábados... festas dançantes, de festival de Merengues... quem dançasse melhor Merengue ganhava um prêmio, quer dizer...então era um ritmo muito forte e intenso em Belém. E para que as pessoas possam também entender, o Merengue, ele nos deu a lambada do Beto Barbosa?, porque foi extraído do Merengue aquele ritmo da lambada.

A partir dessas influências culturais, o artista iniciou o envolvimento com a música, foi aprender o violão como instrumento musical, especialmente com um vizinho seu. Desenvolveu-se na música, que iria se tornar sua profissão.

A saída de Belém

Nilson sentia a necessidade de estudar um pouco mais de música e de contatos que propiciassem sua profissionalização. Assim, em 1968, a conselho do Maestro Waldemar Henrique, importante nome da música paraense e que era amigo de Nilson, ele resolve mudar-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde permaneceu por mais de 40 anos.

Ao narrar em entrevista os fatos que cercaram sua saída, Nilson mergulha no passado, numa espécie de busca de vínculo com sua própria história, para buscar em si o sentido de sua cultura, e nas suas fontes memoriais de outras épocas, do passado, recupera em sua história as questões do presente (WEIL, 1996). Assim, o artista narra que, ainda menor de idade, sentou-se para conversar com o pai e mãe na cozinha de sua casa, para dizer que necessitava sair de sua terra, do seio de sua família, para poder fazer novos vôos rumo à profissionalização. E relembra:

E eu chamei a minha mãe, meu pai na cozinha, sentei na mesa e disse: olha, eu decidi, eu quero fazer música. Eu vou parar o estudo e vou pro Rio estudar música. Minha mãe muito simples, muito sem instrução, (...) disse (...) me lembro bem de uma frase dela tão especial de ela dizendo: meu filho, eu não sei se isso vai ser bom para você, ou não vai ser bom para você, mas... tenha a certeza que vou estar aqui torcendo muito para que certo. E foi isso, ela me disse isso e eu consegui me organizar e fui pro Rio de Janeiro.

Foi no Rio que Nilson afirma ter entendido “a importância de uma região chamada Amazônia” (informação verbal, 2020), a partir de observações que fez a respeito dos nordestinos que ali moravam. Nilson diz ter notado que as pessoas da região Nordeste não se apresentavam por seus estados específicos, mas de uma região: nordestinos. E

ele acrescenta que via nisso um orgulho diferenciado. Isso o levou a reflexões à respeito

2 Artista paraense que divulgou o estilo de música da Lambada nacionalmente.

Música: Práticas inovadoras e registros culturais Capítulo 1

dessa necessidade de se valorizar a própria região de origem, expressando-se, no caso dele, como sendo da Amazônia. Ele relembra, então, que a partir desse momento começou a difundir para os demais colegas artistas da região de onde proveio: “somos da Amazônia, somos amazônicos” (informação verbal, 2020). E assim, a sua música começou a levantar uma bandeira: a da região Amazônica. Nilson relata ter percebido que, ao fazer isso, contribuia com a conservação das riquezas culturais da Amazônia, valorizava a região e o

orgulho de ser amazônico, como uma forma de resistência cultural. Ele acrescenta:

E eu comecei a plantar essa reflexão na região. Hoje eu tenho milhares de compositores, cantores, cantoras, compositores da região, que levantam comigo a bandeira de que: “eu sou paraense, mas eu sou muito mais do que paraense eu sou Amazônico”. E eu faço questão hoje de não me identificar como um artista paraense, mas sim como um artista amazônico. E essa cadeia de compositores e artistas da região hoje também se intitula assim, exatamente: como artistas Amazônicos.

É cabível afirmar que Nilson se tornou um embaixador musical da Amazônia. É um artista que traz consigo a cultura da região, com um caráter particular, inconfundível, e que denota o imaginário e as experiências do cotidiano do povo, representando Amazônias diversas (BECHER, 2015), em categorias como: lugares, experiências, emoções, gastronomia, lendas, mitos, religiosidade, língua e sotaque, manifestações individuais e coletivas, numa conversão semiótica comum (Paes Loureiro, 2007; Paes Loureiro, 2018;

Vieira, 2014), com conteúdo cultural múltiplo, mas com identidade central.

Indicações, premiações e eventos

Com 26 obras gravadas: 6 discos de vinil, 16 CDs e mais 6 DVDs, Nilson ganhou no ano de 1994 o Prêmio Sharp, a maior premiação da música popular brasileira, com o CD “Não Peguei o Ita”. No mesmo ano, o CD “Waldemar”, onde Nilson interpreta, em parceria com Vital Lima, as músicas do maestro paraense Waldemar Henrique, foi indicado entre os dez melhores CDs de Música Brasileira, pela crítica do Jornal “O Globo”.

Em 1997, o CD “Amazônia Brasileira”, de Nilson Chaves e o violonista também paraensem, da cidade de Santarém, Sebastião Tapajós, foi incluído entre os cinco melhores lançados no mercado europeu.

No ano de 2000, Nilson Chaves foi indicado ao Grammy Latino, na categoria Raízes Brasileiras, com o CD “Tempodestino 25 anos ao vivo”, gravado em 1999, que teve a regência do maestro paraense Jonas Arraes e as participações da Orquestra Jovem da Fundação Carlos Gomes, do Coral Carlos Gomes, bem como de Mapyu, importante nome da percussão paraense.

Ainda no mesmo ano, o músico foi diretor do projeto “Cantorias Amazônicas”, realizado no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, reunindo diversos artistas da Amazônia brasileira, a saber: Raizes Caboclas (AM), Thiago de Mello (AM), Grupo Roraimeira (RR), Lucinnha Bastos (PA), Paulo André Barata (PA), Sebastião Tapajós

Música: Práticas inovadoras e registros culturais Capítulo 1 E

(PA), Jane Duboc (PA), Bado (RO), Sergio Souto (AC), Grupo Zenzala (AP) e Verônica do Marabaixo (AP) (CHAVES, 2020).

31 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Anecessidade e importância do registro de personagens da história cultural brasileira é premente, frente ao processo de globalização e padronização de culturas que se efetiva no momento atual. Muito mais no tocante ao resgate e registro da história presente, de pessoas vivas, em que se possa obter de fontes diretas as impressões e narrativas da própria história (biografias).

Este é o caso do presente artigo, que trouxe o registro da vida e obra do músico Nilson Chaves, cujas contribuições para a região amazônica brasileira são de importância enorme, posto ser um artista representativo daquela região dos quais ainda são necessários maiores registros científicos.

Uma grande parte da obra de Nilson e seus parceiros, traz consigo esse regionalismo do Norte, da Amazônia, ao descrever lugares, cheiros, sotaques e povos. Percebe-se uma perspectiva da identidade amazônica através da lente da música regional do Pará. Suas músicas citam lugares como Belém, sua cidade natal, trata de nomes de madeiras da Região, traz linguagem regional, engloba ritmos amazônicos, descreve cheiros e sabores. Todos esses importantes do ponto de vista do registro da cultura regional, tanto para o contexto local, como para o nacional e global.

Os elementos contidos na entrevista exclusiva de Nilson para a pesquisa, apontam aspectos importantes da representação de si e do outro e demonstram no artista a necessidade do enraizamento, de vínculos com uma memório do passado, da identidade (de quem se é e por que se é) e remete ao direito humano de sobrevivência própria e de sua cultura, temas que aproximam a Música do saber ambiental, em uma relação interdisciplinar entre esses campos de estudo, que destacam a relevância do artista e sua obra para a conservação da cultura amazônica.

Esse registro, fundamental para o presente momento histórico, quando a Amazônia toma destaque na mídia global, é uma forma de contribuir para a conservação do patrimônio biocultural da região, e suscitar reflexão sobre o ser amazônico e os desafios atuais de uma região vital para o Brasil e para o mundo.

AGRADECIMENTOS

Este capítulo é resultado parcial de pesquisa de doutoramento da autora Walena Magalhães. As autoras agradecem ao músico Nilson Chaves, pela entrevista e aprovação do capítulo, à bolsa de financiamento de pesquisa do Pró-qualificar do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFTO), ao Programa de Pós Graduação em Ciências do

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Ambiente da Universidade Federal do Tocantins (PPGCIAMB), e à Flórida International University (FIU).

REFERÊNCIAS

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Música: Práticas inovadoras e registros culturais Capítulo 1 2

CAPÍTULO 2

KRAUTROCK: CRIATIVIDADE, IDENTIDADE E LEGADO PARA A MUSICA POPULAR

Data de aceite: 01/09/2021 Data de submissão: 06/07/2021

Leonardo José Porto Passos

PPG em Música Instituto de artes Unicamp Piracicaba/SP http://lattes.cnpq.br/5145986864380281

José Eduardo Fornari Novo Júnior Instituto de artes Unicamp Campinas/SP http://lattes.cnpg.br/5835490651632249

RESUMO: O ano de 2021 marca os 50 anos da primeira vez que o termo krautrock apareceu na grande mídia, utilizado para referir-se a um conjunto de bandas alemãs surgidas na década de 1960 que misturavam rock psicodélico com improvisação, minimalismo, experimentalismo e, principalmente, música eletroacústica, um gênero musical que a Alemanha ajudou a desenvolver e a consolidar a partir de compositores como Herbert Eimert, Werner Meyer-Eppler e Karlheinz Stockhausen. O krautrock foi a manifestação musical de uma juventude descontente com o passado recente de um país envolvido em guerras e ideologia política ultraconservadora, e que naquele momento ainda sofria com resquícios desses traumas enraizados em sua cultura, além de um tradicionalismo singelo impregnado em suas músicas feitas para as massas. O krautrock nunca atingiu as paradas de sucesso das rádios e TVs, mas seu legado é sentido até os dias de hoje na música popular

Música: Práticas inovadoras e registros culturais

do mundo todo, mesmo após cinco décadas de lançamento dos principais álbuns daquela geração de jovens bandas alemãs, conforme apresentado no presente capítulo. PALAVRAS-CHAVE: Krautrock, música eletroacústica, música eletrônica, música alemã, contracultura.

KRAUTROCK: CREATIVITY, IDENTITY AND LEGACY FOR POPULAR MUSIC ABSTRACT: The year 2021 marks the 50" anniversary of the first time the term krautrock appeared in the mainstream media, used to refer to a group of German bands that emerged in the 1960s that mixed psychedelic rock with improvisation, minimalism, | experimentalism and mainly electroacoustic music, a musical genre that Germany helped to develop and consolidate through composers such as Herbert Eimert, Werner Meyer-Eppler and Karlheinz Stockhausen. Krautrock was the musical manifestation of a youth discontented with the recent past of a country involved in wars and ultra-conservative political ideology, and which at that time still suffered from remnants of these traumas rooted in their culture, in addition to a simple traditionalism impregnated in their music made for the masses. Krautrock never reached the radio and TV hit charts, but its legacy is felt to this day in popular music around the world, even after five decades of the release of the top albums by that generation of young German bands, as

presented in this chapter. KEYWORDS: Krautrock, electroacoustic music, electronic music, German music, counterculture.

Capítulo 2

exatos 50 anos, em 1971, Karlheinz Stockhausen era um compositor consagrado e se tornava professor de composição na Universidade de Música e Dança de Colônia (Hochschule fúr Musik und Tanz Kôln, onde lecionou até 1977), Alemanha, cidade próxima ao vilarejo de Kúrten, na qual ele vivia desde 1965 e permaneceu até os anos finais de sua vida.

1971 também foi o ano em que Stockhausen compôs suas peças musicais Sternklang e Trans, suas composições de número 34 e 35, respectivamente. A primeira é uma “música de parque” para ser executada ao ar livre por 21 cantores e instrumentistas (incluindo sintetizadores), divididos em cinco grupos de quatro pessoas, em locais esparsos, com considerável distância entre si. Os artistas são captados por microfones e amplificados em alto-falantes, e um percussionista fica numa região central para ajudar a sincronizar os cinco grupos. a segunda é um trabalho orquestral semiacusmático, pois os músicos mais ativos ficam escondidos da vista do público, enquanto, aos olhos da plateia, 42 instrumentistas de cordas (incluindo um órgão elétrico) executam paródias da música erudita moderna e um enorme tear de madeira em atividade se move pelo palco, realizando em conjunto uma obra onírica, baseada em um sonho do compositor.

Stockhausen não foi o primeiro compositor a utilizar instrumentos ou equipamentos eletrônicos em suas obras. Antes dele, experimentos em música eletroacústica vinham sendo realizados por vanguardistas como John Cage, Pierre Schaeffer (musique concrête francesa) e Herbert Eimert e Werner Meyer-Eppler (elektronische musik alemã, termo criado por Meyer-Eppler), fundadores do Estúdio de Música Eletrônica (Studio fúr Elektronische Musik), da emissora de rádio alemã Westdeutscher Rundfunk Kôln,' o primeiro estúdio do gênero do mundo, na mesma Colônia onde viveu Stockhausen, que começou a frequentar o estúdio em 1951 e gravou duas composições: Elektronische Studien le